sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Para que falar de Camboriú?
Reproduzo uma interessante reportagem (pelo menos para nós, que vivemos aqui) do jornal curitibano "Diário do Paraná" de 10 de Junho de 1971, na coluna de turismo da Rosy de Sá Cardoso. Mas, como era bom viver nessa época na cidade que ainda tinha o “de” no meio de Balneário Camboriú ... Tomei a liberdade de atualizar o artigo para nosso português contemporâneo. Vamos lá ...
"Realmente, é quase desnecessário falar ou escrever sobre Camboriú, tão famosos são seu nome, sua praia, sua animação.
Com duas horas e pouco de viagem, você estará lá, no balneário catarinense preferido pelos paranaenses. Mas também por gaúchos, argentinos, uruguaios, muitos paulistas, paraguaios, e, naturalmente, pelos próprios catarinenses. Camboriú está a 9 quilômetros de Itajaí, a 38 de Brusque, 62 de Blumenau e a 96 de Florianópolis.
Sobre a preferência acima referida, basta dizer que a cidade-praia apresenta dois aspectos totalmente diferentes: no verão, quando vê sua população fixa de 15.000 pessoas aumentada pelo menos dez vezes! (Já se constatou a presença de 150.000 pessoas como população "flutuante" do Balneário de Camboriú) e fora da temporada. Tanto assim que tem um calendário de eventos turísticos que se não esquece nos meses de maio, junho, julho e setembro, movimenta a praia e seus frequentadores principalmente na temporada, dentro da qual os principais pontos de destaque são dados em:
Dezembro — Abertura oficial da temporada de verão. Grande baile de réveillon no Marambaia Cassino Hotel.
Janeiro — Campeonato de futebol de areia. Concurso de esculturas na areia.
Fevereiro — Festa do chope. Campeonato de pesca. Provas de natação. Prêmio Marco Polo (dado ao turista originário do lugar mais distante de Camboriú).
Camboriú, além de ser o mais famoso balneário de Santa Catarina, é considerado, também, um dos quatro mais sofisticados do país, contando com cinerama e outros cinemas, grandes e confortáveis hotéis, magníficos edifícios de apartamentos, restaurantes e lanchonetes, bares e boates. E a presença de muita, mas muita moça bonita em suas areias, ou desfilando na Avenida Atlântica.
Suas praias, unidas numa só grande curva de praia acolhedora, têm diversos nomes: dos Amores, das Taquaras, Laranjeiras, Prainha, Estaleiro, Mato de Camboriú e Pontal. Na lista de hotéis fornecida pelo Departamento de Turismo de sua eficiente Prefeitura Municipal encontramos relacionados alojamentos para todos, a todos os preços: Balneário, Blumenau, Copacabana, Fischer, Gumz, Icaraí, Marambaia, Mariluz, Mauá, Miramar, Pio, Schöeder, Walter, Tirolesa e Motenborn.
Com o número de automóveis assinalados nos meses de temporada, com a qualidade de seus estabelecimentos comerciais, com a movimentação dos turistas, o Balneário de Camboriú, realmente não necessita que sobre ele se fale ou escreva. O melhor é ir conhecê-lo."
Fonte: Diário do Paraná — Segundo Caderno, página 4 - DP. TURISMO (Roteiro Catarinense VI), coluna de Rosy de Sá Cardoso de 10/06/1971; Foto: Extraída do site Instituto Cultural Delatorre (http://www.misbc.com.br/museu.aspx).
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Bebidas vegetais substituem o leite?
Bebidas produzidas à base de soja, arroz ou aveia podem ser chamadas de "leite"? Qual é a semelhança entre elas e o leite tradicional? Elas podem substituir o leite de vaca? Quem tem intolerância à lactose tem aí uma solução para seus problemas?
Muitas dúvidas costumam cercar as bebidas vegetais, nome que alguns nutricionistas preferem utilizar para evitar a palavra "leite". Isso porque o que une os dois alimentos nas prateleiras dos supermercados é basicamente a semelhança física.
O leite tradicional tem origem animal, enquanto as outras versões são extratos de grãos, cereais ou oleaginosas, esclarece Daniela Boulos, nutricionista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Há, portanto, muitas diferenças e uma das mais comentadas é ausência da lactose, um açúcar presente no leite que depende de uma enzima produzida no intestino delgado para ser digerida.
Assim, quem sofre com intolerância à lactose pode consumir essas bebidas no café da manhã e em outras ocasiões em que o leite normalmente estaria presente. No entanto, em termos nutricionais, será preciso trazer outros alimentos à mesa e até recorrer ao uso de fórmulas ou suplementos vitamínicos, dependendo do caso, para chegar a uma equivalência.
Oferta de cálcio e proteínas
De acordo com a nutricionista Raquel Bráz Assunção Botelho, o leite de vaca é naturalmente rico em cálcio, elemento que, geralmente, precisa ser adicionado às bebidas vegetais. "Além disso, o tipo de cálcio acrescentado pode não ser de tão boa absorção quanto o do leite tradicional", esclarece a especialista, que também é professora do Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília (UBN), no Distrito Federal.
Sempre ressaltando que cada caso deve ser avaliado por um profissional, a nutricionista Silvia Andréa Guimarães, do Hospital Santa Isabel, que integra o complexo da Santa Casa de São Paulo, afirma que aqueles com restrição ao alimento devem incluir na dieta ingredientes como gergelim e folhas verdes escuras, como a couve, que são fontes do nutriente essencial para a saúde dos ossos.
Substituição
As bebidas vegetais também não substituem o leite do ponto de vista nutricional porque o tipo e a quantidade de proteínas são diferentes, acrescenta Botelho. Por isso, elas são recomendadas para quem tem alergia à proteína do leite de vaca (APLV), um distúrbio de origem genética, mas que também pode ser desenvolvido ao longo da vida.
Lembrando a importância do leite para o desenvolvimento adequado de crianças e adolescentes, Boulos afirma que, nesses casos, uma alternativa é ingerir fórmulas infantis especiais à base de proteínas extensamente hidrolisadas. "Nesse processo, a proteína é fragmentada e tem menor chance de causar a reação alérgica", diz. As fórmulas especiais compostas de aminoácidos livres – também disponíveis no mercado – são opções nesses casos.
Versatilidade de uso
Embora os alimentos não sejam comparáveis, os leites vegetais podem sim "quebrar um galho" na cozinha daqueles que não podem ou não querem ingerir o alimento de origem animal, como é o caso dos vegetarianos estritos.
O lado bom é que eles oferecem vitaminas e minerais, incluindo potássio, selênio, cobre, zinco, manganês, magnésio e ferro, como afirma a nutricionista do Sírio-Libanês, e ainda são livres de gordura saturada e colesterol, segundo Botelho.
A professora do Departamento de Nutrição da UNB garante que é possível preparar molho branco e até bolos. "Muitas vezes, é preciso diminuir um pouco a quantidade de farinha de trigo ou de amido de milho, pois as bebidas vegetais têm mais amido", detalha.
No laboratório da universidade, onde foram testadas algumas receitas, também já foram preparados leites vegetais condensados e até brigadeiro. "Não ficam iguais, mas tem sabor agradável", conta. Guimarães também sugere utilizá-los no preparo de vitaminas com frutas, em sopas, purês e panquecas.
Com exceção daqueles que têm alergia aos ingredientes utilizados e dos celíacos, que não podem consumir o leite de aveia em função do glúten, as bebidas vegetais podem ser ingeridas sem contraindicações pelos adultos. Já as crianças podem fazer uso delas a partir dos dois anos de idade. "Antes dessa fase, recomenda-se o aleitamento materno – exclusivo até sexto mês de vida e prolongado até os dois anos de idade, com alimentação complementar", fala Boulos.
Fonte: Uol / Texto: Marina Kuzuyabu
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